A forma de comunicação popular é muito variável entre as pessoas, animais , bem como os significados das coisas e dos objetos.
O simbolismo escrito desenhado e a linguagem popular começaram a introjetar-se no meio científico,no Brasil,através do pesquisador Luís Beltrão,em 1967, com sua tese de Doutorado sobre a Folkcomunicação, influenciado pelo pesquisador austríaco Paul Felix Lazarsfeld.
A idéia de comunicação através da fala foi por muito tempo uma verdade absoluta. Com os estudos científicos,no âmbito da comunicação popular, surgiram então na europa diversas escolas de comunicação, em especial na Aústria,através de Paul Felix Lazarsfeld que, desde 1947, mostrava o processo comunicativo com mais complexidade.
Luis Beltrão pesquisou a comunicação de massa,que não é simplesmente a comunicação da televisão,do rádio,etc,mas dos gestos das pessoas,dos animais,os símbolos,os quais podem ser
desenhos nos quadros,no chão,nas pedras, à grafitagens, à frases dos pára-choques dos carros,das tatuagens,etc.
No Recife,no começo de novembro de 2011, houve o Festival Internacional de Teatro de Bonecos,onde os objetos e os atores se interagiram de tal forma que levaram a platéia ao delírio.O homem se confudia com o inanimado,como se fossem únicos e indiferentes.
A visão orgânica da sociedade de Edgar Mourin estava alí explícita. O todo era maior do que a soma das partes,mas o todo era a soma das partes.Cada detalhe era importante,cada luz , cada cor,o gesto,o brilho do olhar dos atores dançando entrelaçados com os aros das bicicletas que, criando um espaço harmônico, interagia com a platéia formando um todo único e inesquecível.
O cenário demonstrou, à luz do pensamento de Luis Beltrão,que não se faz comunicação popular somente com equipamentos sofisticados, o olhar acadêmico, mas com seres humanos, animais e coisas. Faz-se , também, através da fala ou da literatura de cordel, de expressões do cancioneiro popular, como buchada, buchecha inchada, tira o sebo da panela bota lá na panelada,de Jackson do Pandeiro, ou mesmo o gingado da mulata brasileira na forma de andar,de dançar que tanto encantava o mestre de Apipucos ,Gilberto Freyre.
A Folkcomunicação também ganhou nova roupagem com a internet e o computador. Mesmo assim, ela não perdeu o sentido e a sintonia com a Folkcomunicação das frases dos pára-choques de caminhão e das gírias que inspiravam o grande folclorista Mário Souto Maior, conhecedor do universo mágico de nossa cultura popular, quando escreveu O Dicionário do Palavrão, Alimentação e Folclore e tantos outros livros.
A Folkcomunicação está em todos os lugares e exerce um papel na nossa cultura e na nossa formação educacional. Preservar nosso patrimônio linguístico e escrito é preservar todo esse conjunto de informações que nasce com o homem e que atravessa as gerações.
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